A Samsung deu um passo além no segmento de celulares dobráveis ao apresentar o Galaxy Z TriFold, um modelo que aposta em um design de três telas articuladas.
Quando totalmente aberto, o aparelho revela um painel de 10 polegadas com resolução QXGA+ (2160 × 1584), brilho máximo de 1.600 nits e taxa de atualização de 120 Hz, oferecendo uma experiência visual ampla e fluida.
Os módulos laterais se fecham para dentro, protegendo o display central, enquanto um sistema inteligente de aviso detecta tentativas de dobra incorreta e emite alertas ao usuário.
No uso diário, o TriFold permite rodar até três aplicativos ao mesmo tempo, cada um ocupando uma tela em orientação vertical, ou expandir um único app por todo o painel. Além disso, o dispositivo oferece suporte a monitores externos, ampliando suas possibilidades de produtividade.

No estado fechado, o aparelho apresenta 12,9 mm de espessura. Ao ser totalmente aberto, esse número cai para 3,9 mm no ponto mais fino. Para efeito de comparação, o iPhone 17 Pro mede 8,75 mm, enquanto o iPhone Air, atualmente o modelo mais delgado da Apple, registra 5,64 mm.
O dispositivo chega ao mercado exclusivamente na cor preta e será comercializado com 16 GB de RAM, acompanhado de opções de 512 GB ou 1 TB de armazenamento interno, sem possibilidade de expansão via cartão microSD.
No conjunto interno, o smartphone traz uma versão personalizada do Snapdragon 8 Elite Mobile, aliada a uma bateria de 5.600 mAh distribuída em três células independentes, posicionadas sob cada segmento da tela dobrável.
O sistema de câmeras traseiras inclui um sensor principal de 200 MP, uma lente ultra-wide de 12 MP e um telefoto de 10 MP, capaz de oferecer zoom óptico de 3x e zoom digital de até 30x.
Na parte frontal, o aparelho conta com duas câmeras de 10 MP: uma integrada à tela externa e outra embutida no painel principal, garantindo flexibilidade para fotos e chamadas de vídeo em diferentes modos de uso.

A Samsung define o TriFold como o modelo dobrável mais sofisticado já desenvolvido pela empresa, resultado de um novo mecanismo de dobragem dupla, aliado a um display com reforço estrutural e ao uso de materiais mais robustos no exterior. Entre eles estão uma dobradiça construída em titânio e uma estrutura de alumínio Advanced Armor, projetadas para aumentar a durabilidade do dispositivo.
Substituto mais avançado
De modo geral, um smartphone dobrável em três segmentos tende a oferecer uma experiência mais versátil do que os modelos com apenas uma dobra. Esse formato amplia significativamente a usabilidade do aparelho.
O projeto facilita o uso no formato tradicional de celular e, ao mesmo tempo, entrega uma área de visualização ampla quando totalmente aberto, aproximando-se da experiência de um tablet. Na prática, isso faz com que o dispositivo funcione melhor tanto como telefone principal quanto como substituto de um tablet compacto.
O modelo triplo permite transportar um dispositivo com comportamento semelhante ao de um tablet de cerca de 10 polegadas, mas mantendo dimensões compatíveis com o bolso. Para usuários avançados, isso significa mais espaço para multitarefa, criação de conteúdo e fluxos de trabalho produtivos, superando até mesmo os dobráveis do tipo livro. O foco, não está nas funções básicas, mas na possibilidade de eliminar a necessidade de um segundo aparelho.
Além da produtividade, os dobráveis em três partes podem beneficiar públicos específicos. A tela ampliada favorece pessoas que utilizam óculos de leitura, permitindo aumentar o tamanho do texto sem comprometer a quantidade de conteúdo visível. Há também vantagens no consumo de vídeos durante viagens e destaca que o formato ainda carrega um fator de exclusividade, já que dispositivos com esse tipo de dobra continuam sendo raros no mercado.
Segmento especializado
Até agora, não houve sinais claros de interesse do público por celulares dobráveis em três partes. Segundo analistas, o Galaxy TriFold nasceu mais como uma vitrine tecnológica da Samsung, criada para demonstrar sua força em design e inovação, do que como uma resposta direta a uma demanda real do consumidor.
O principal obstáculo desse segmento não está na engenharia ou na qualidade do hardware, mas no próprio mercado. O problema central é a ausência de aplicações ou experiências realmente indispensáveis que justifiquem a adoção em larga escala desses dispositivos.
Falta um ecossistema dedicado que explore de forma exclusiva as vantagens do formato dobrável. Sem conteúdos, serviços e aplicativos que entreguem valor claro e diferenciado, esses aparelhos acabam não se sustentando além do apelo visual e da curiosidade inicial.
Enquanto os preços permanecerem elevados e os benefícios práticos não superarem o custo, os dobráveis continuarão restritos a um público específico, longe do consumo de massa.
O cenário pode mudar rapidamente. Caso a Apple decida entrar nesse mercado com um iPhone dobrável, a percepção do público pode se transformar de forma significativa, ampliando o interesse pela categoria.
A Apple só lançaria um produto desse tipo quando a tecnologia estivesse madura o suficiente para atender aos seus padrões rigorosos. Porém, no momento em que isso acontecer, a combinação de marketing, ecossistema e influência da marca poderia impulsionar os smartphones dobráveis para um novo patamar de relevância.
O diferencial da Apple para criadores de aplicativos
Além da força de divulgação, a Apple pode agregar um diferencial decisivo ao segmento de dobráveis. Ao longo dos anos, criadores de aplicativos demonstraram maior disposição para adaptar seus softwares ao hardware da empresa.
Isso já ficou claro na trajetória do iPad: muitos apps nasceram no iPhone e depois passaram por ajustes profundos para explorar melhor o tablet da Apple, algo que raramente ocorreu com aplicativos de smartphones Android quando levados para tablets do mesmo ecossistema.
O calendário adotado pela Samsung para apresentar o TriFold chama atenção. A empresa introduz um aparelho com área de tela ampliada justamente no momento em que o Google avalia integrar o Android a componentes do Chrome OS, movimento que deve priorizar uma experiência mais robusta em displays grandes.
A Apple corre atrás nesse segmento, já que a Samsung acumula modelos dobráveis em formatos livro, concha e agora triplo, enquanto a rival segue focada em smartphones convencionais. Do ponto de vista estratégico, porém, a Apple costuma entrar apenas quando consegue entregar soluções maduras em resistência, espessura e uso de aplicativos, sem exigir adaptação do usuário.
Há até um incentivo indireto da própria Samsung para que a Apple participe do mercado, pois a entrada da marca serviria como selo de validação da categoria, impulsionando todo o setor.
Os celulares de três dobras vão além de uma simples tendência: eles funcionam como um experimento para redefinir o smartphone como computador central. O salto real só virá quando softwares e recursos de inteligência artificial souberem usar a área ampliada para multitarefas mais eficientes, e não apenas para aumentar botões e atalhos. Até lá, esse formato segue como um laboratório interessante do que pode se tornar a próxima geração de dispositivos móveis.
esses aparelhos definitivamente não atendem a todos os perfis. No cenário atual, eles ocupam um segmento ultra-premium e tendem a canibalizar o mercado de tablets com ainda mais força do que os dobráveis atuais.
Os dispositivos de três dobras representam um avanço empolgante na computação móvel, com potencial para substituir smartphones e tablets — e, em certos contextos, até notebooks.






